Saudações, terráqueos!
Trago-lhes uma oferenda de suspense a moda britânica:
"Numa pitoresca e outrora pacífica província sueca, o desiludido inspetor de polícia Kurt Wallander tem pela frente uma série de assassinatos intrigantes."
Wallander.
Seriado britânico baseado nos livros de Henning Mankell sobre o inspetor de polícia. Produzido pela BBC, para a TV britânica, mas todo gravado na Suécia e respeitando as tramas originais dos livros.No elenco temos Kenneth Branagh (Operação Valquíria), Sarah Smart (Doctor Who), Jeany Spark (O Quinto Poder) e Tom Hiddleston (Meia noite em Paris).
Conta com três temporadas já lançadas e a quarta, e última, foi prometida para o inverno desse ano (o verão europeu).
E o que eu acho? Bem, as minhas impressões sobre as duas primeiras temporadas são bastante positivas.
Wallander é um policial na meia idade, muito humano, que tem bom faro para desvendar crimes, sem ser um Sherlock, mas que não descansa até que os casos em suas mãos sejam solucionados.
Aliás, um curiosidade que espero não ser considerada spoiler é que ele dorme em qualquer lugar, menos na própria cama... Como ele consegue?
Nos concentrando no seriado, a fotografia é bela, por ser filmado na Suécia tem seus momentos de pouca luz mesmo durante o dia, mas isso está - na minha opinião - bem atrelado as passagens mais obscuras da vida de Wallander.
O enredo é envolvente, há suspense, porém sem a necessidade de muita ação ou aceleração da trama. Os episódios são quase filmes, isso permite ao espectador respirar. Não é preciso correr e revelar tudo no último instante, vamos seguindo as pistas que estão espalhadas no caminho e fazer o trabalho de detetive juntos. E algumas coisas o bom observador nota antes das personagens, mas isso não faz o desfecho menos importante.
Também as cenas "extra-caso" podem ser assistidas sem a angústia de que cada minuto alguém vai morrer, o que está passando na tela é importante. Se não o é para o caso é para o desenvolvimento do personagem, a vida deles está passando ali e nós estamos acompanhando.
O subtítulo que eu escolhi "O crime com classe" se dá pelo fato de que as mortes não são superproduzidas aqui, não tem sangue jorrando ou exposição de corpos além do necessário. Algo como: "Sim, tem um corpo ali. Foi assassinado e nós o respeitamos. Sabemos que existe um monte de merda lá fora, mas ninguém precisa tornar isso uma manchete sensacionalista."
Os/as personagens têm coração, eles simpatizam com os que os procuram. Principalmente, o Wallander. Ele sofre. Sofre pelas pessoas que morreram, que ele não consegue socorrer e até por umas que são presas.
"Ninguém tem o direito de tirar uma vida."
Essa é uma das mensagens mais fortes no decorrer de toda a série (até o ponto em que assisti). Talvez uma crítica a banalização da morte na ficção. Já notei em vários seriados, quanto mais gente morrer "mais legal" é o seriado. Só que não é. Esse recurso é absorvido por muitas pessoas, quando deveria-se, a essa altura da evolução, preocupar-se mais em valorizar a vida (e isso vale pra todos nós, não só na ficção).
Wallander é bom. Ponto.
Um seriado bem feito, com bons propósitos, uma boa produção, conteúdo de qualidade e uma preocupação com o lado humano da morte e das investigações policiais. Diria até que é um exemplo do investigador clássico no mundo moderno.
Separe um tempo para assistir (tem no Netflix). E saboreie como a um bom chocolate quente (ou vinho gelado, depende da temperautra que estiver fazendo por aí).
Ah! E me diga o que achou lá no e-mail: desabafa@mundorg.com.br.
Abraços,
Nana.



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