Todo jovem latino-americano, pobre como eu, e provavelmente você, vai se identificar com esse livro. Escrito por Efraim Medina Reyes, o livro é uma jóia rara da literatura. Transformando eventos cotidianos em poesia. Triste como Kurt Cobain e ácido como Sid Vicious e engraçado como qualquer zé-ninguém e como todo mundo.
Quando li o livro, torcia todos os dias para não acabar, lia até meus olhos ficarem marejados, de tanto forçar os olhos. O livro se passa na Colômbia nos anos 90, e mostra como pobres sul-americanos se desenvolvem da adolescência a fase adulta. Conflitos com os pais, namoradas, paixões, traições, amizades. A primeira vez que li esse livro, me identifiquei muito com alguns personagens, como eles se desenvolvem, são descritos, algumas de suas características. Lendo a descrição das amizades, me sentia ali, junto deles, como se fosse mais um dia da minha vida, como meus amigos mais próximos.
Apesar de ele sempre falar de uma forma negativa do ambiente a seu redor, eu sentia uma grande vontade de estar lá, de ser mais um pobre colombiano, desempregado e avulso na vida. Sem ter para onde ir, mas não querer chegar em lugar nenhum, e achar que isso está bom.
Eu gosto tanto do livro, que fica muito difícil de escrever sobre ele, por que fico com medo de não ser generoso o suficiente.
Então, não vou mais escrever sobre, vou só colocar trecho do livro para que vocês tenham uma noção.
" Kurt Cobain tem 10 anos e está voltando para casa com seu violãozinho, solitário sob a garoa de Seattle. Passa por um grupo de garotos negros mais velhos, que jogam basquete sem bola. É interceptado por um dos meninos, que o impõe o uso de seu instrumento: dez minutos depois, o garoto olha para Kurt assombrado – “Você tem os olhos do Jimi”, diz. Kurt volta para sua casa e encontra a mãe histérica com seu atraso. Como castigo, a mãe tira seu violão. Só resta ao pequeno Kurt tocar, como os garotos negros, violão sem violão. Muitos anos mais tarde, famoso, rico e deprimido, Kurt tenta outra vez tocar seu violão imaginário. Não consegue – e o resto vocês sabem ".
Então, caros leitores. Espero que leiam.
Abraz!
Nenhum comentário